
Morreu nesta manhã
de terça-feira um homem
qualquer que seja seu nome
igual a tantos de sua procissão.
O indivíduo trajava
num terno puído a tragédia
de toda sua pele tomada de pedra,
como todos os anjos de cemitério.
Seus olhos boiavam abertos
ainda ao susto de ter
suas botas roubadas e
seus dentes de ouro arrancados.
Queria andar, já não consegue
queria comer, perdeu sua fome
desejava beber, sua sede secou
seu vinho em suas veias cortadas.
Este é mais um dia comum,
e também um segredo ao lado
do lado de dentro de nossa cidade
onde nada se sabe do santo do dia.
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Sábado, 20 de Junho de 2009
Necrológio - Assassinato de um homem bom
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...
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6/20/2009
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Marcadores: corpos
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Segredos

Não entendo por que
há histórias de amor
mentes destorcidas
dor de dente e unha encravada:
no primeiro caso
há tudo o que não
se gastou na mão
e insiste gozar
no segundo, existem
tanto os gênios
como os lunáticos
e todos têm prazer
no último, a gente
tropeça na pedra,
no caminho topa,
cai, levanta e sai xingando.
Nunca entenderei a razão
de que o contrário
também é válido
e também morre e fica pálido.
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
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5/07/2009
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Marcadores: desencontro, procura
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Fabricação

Um movimento desencadeia
movimentos de máquina e solidão:
o prisioneiro se vai caminho
e, à tona, o choro desenferruja
as engrenagens do peito,
as dores do músculo.
As peças fabricadas em série,
os movimentos cegos do corpo
e as montagens dos momentos:
tudo é produto da massa
que solda os fios da vida
e solta o cegos de mãos vazias.
A fábrica da vida
é só isso, por metáfora dizer:
bater martelos nos
parafusos da cabeça
a largar os loucos
fora de suas casas,
longe de seus amores.
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Autor:
...
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12/01/2008
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Marcadores: corpos
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Tatuagem

O que marca
a pele na pessoa
que existe
do outro
O que troca
o pelo ao passo
que morre
o eu antigo
O que resiste
ao interesse
que persiste
O culto parado
e história
se contando.
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
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9/23/2008
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Marcadores: corpos
Terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Representação do amor na idade da pedra esculpida
Lasco pedra
Tasco pedra
Masco os fumos
No cume do molde
Findo e fundo o afã,
Autor:
POESIA PARA POUCOS
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9/16/2008
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Sábado, 28 de Junho de 2008
A serviço da palavra
A palavra é uma foda
e também uma corda:
recai em prazer
e morte em vários corpos.
Alguns declaram amor,
outros se enforcam.
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
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6/28/2008
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Marcadores: corpos
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Badalada

Estridentes as mãos, cantavam os olhos.
Batendo os pés bailavam os gestos.
Sorrindo os braços se davam aos pares.
Em seus saltos sorrisos, soltos os braços.
Soavam os sinos em passos humanos.
Choravam em gotas os solitários.
Em moinhos de dança Quixote estava.
Lutando astuto, cantando distinto.
No paço, batalhas com seus gigantes.
De bailada dia e noite não havia
outra amiga que encontrasse em sua vida
pois de badalada assim bela dama ele tinha.
Em tempos distantes, em corpos amantes,
se sonhos ou não, do suor dos rostos
ficaram pra sempre senhor e senhora do baile.
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
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5/19/2008
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Marcadores: fantasia
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
Instante

O ESPAÇO FEITO
(O AR É RAREFEITO)
SÃO OS MITOS
(SÃO MUITOS)
E OS PUDORES
MADUROS AFLORANDO
COM CERTEZA DE VIDA.
A VIDA É
CONTRASTE DAS CENAS
(AS MENTIRAS PARECEM PEQUENAS)
DOS TAKES
(TUDO NÃO PASSA DE ENFEITES)
DAS SINAS
AO BATER DOS SINOS
E DOS FEITOS.
VOCÊ É A VIDA,
O PRIMEIRO E O ÚLTIMO CÁLICE
DA IMPUREZA DOS EXTREMOS.
VOCÊ É A VIDA
DESDE O PRIMEIRO INSTANTE.
VOCÊ É A VIDA
ATÉ O ÚLTIMO CÁLICE.
VOCÊ É A VIDA
DESDE O PRIMEIRO MOMENTO
ATÉ O ÚLTIMO CÁLICE.
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
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5/08/2008
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Marcadores: teoria furiosa
Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Eu não existo sem você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
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Autor:
POESIA PARA POUCOS
às
4/28/2008
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