
Sem espelho de beleza
não reparto nem desfaço
que tudo é inteiro e certeza:
caminho a ritmado passo.
Não me importa a novidade
pois minha alma é antiga:
só eu tenho esta verdade,
não há quem ouça o que eu digo.
Todo o tempo sou um só:
guardo a mesma porção
de infinidade e de pó
no eco de meu coração.
Se uma estrela eu for no céu
ficará em terra o que fiz:
mistura dura em papel
e o barro por meu matiz.
.
.
.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Corpo de barro
Autor:
Poesia
às
7/29/2010
0
comentários
Marcadores: corpos
quarta-feira, 10 de março de 2010
Procura

O mundo caminha debaixo
da minha janela
mas eu não lhe vejo
-mas eu não lhe vejo.
Elevo os olhos e não mais
procuro
porque aqui não passas
-porque aqui não passas.
Que estrela é a tua
a dar o rumo?
não é a minha
-não é a minha.
Que caminho fazes
e que se perde?
eu não conheço
-eu não conheço.
Qual condutor a leva?
se é pé, se é gente
ou é máquina,
pé, gente, máquina...
Se ali mesmo você passa
-se ali mesmo você passa.
.
.
.
Autor:
Poesia
às
3/10/2010
3
comentários
Marcadores: procura
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Encontros e desencontros

Quando é difícil dizer
resta ao corpo não conter
por gesto a palavra quieta,
por modos a paixão disperta.
Quando é raro se dar
é necessário aproximar
por olhos nossas faces
por cheiro nossos disfarces.
Mas nada é difícil ou raro
quando no disparo
dum coração acelerado
se reconhece o ser amado.
Se bem assim for impossível
de ser aberto ou indizível
então não é amor o acontecido
mas, no corpo, gesto perdido.
.
.
.
Autor:
Poesia
às
2/17/2010
1 comentários
Marcadores: desencontro, encontro
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Às vezes

O amor é uma casualidade,
ama-se do modo como se morre -
como num acidente na estrada
pode acontecer na ida ou na volta.
O amor é uma realidade,
às vezes é uma mentira -
como a idéia do vendedor
que torna útil o objeto exposto.
O amor é uma falta,
como no jogo de futebol -
interpretação do árbitro
e ponto de vista do torcedor.
E se eu te amo
sem querer e deveras,
com a força de uma queda
à pena de não saber o futuro
eu digo que te amo
pela vida até o fim
porque és todos os meus dias.
.
.
.
Autor:
Poesia
às
2/08/2010
1 comentários
Marcadores: encontro
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Cristalização

Preciosa, pedra que não
se divide, nem mistura -
é mineral sua veia pura
latentes corpos, um coração.
Encontrar a outra parte
tendo em ti mim mesmo:
lei orgânica do afastar
para unir o querer bem.
Preciosa, vem da terra
o corpo, se lapida e vira
lápide na vida refeita
eu com minha metade.
Somente quando me vejo
outro corpo e mesmo espaço
tenho o pedaço faltante
como fibra de carbono no diamante.
.
.
.
Autor:
Poesia
às
2/05/2010
0
comentários
Marcadores: corpos
sábado, 31 de outubro de 2009
Lembramento de amigo

Um amigo é um dia
que ficou para sempre
um trejeito constante
e pensar o que ele faria
se quando a sua frente
um mal se faz gigante.
Misturam-se personalidades,
gostos e dissabores
nos saberes e em seus almoços,
e depois que se vão as vaidades
por ristes pelos mesmos amores
amigos continuam sem alvoroços.
Até que a morte, num silêncio lento,
chega um dia para um, como para ambos,
como para todos, seus pais e avós:
primeiro um, depois outro, um lamento
para lembrar que se em parte vamos
n'outra parte ficamos nós.
.
.
.
Autor:
Poesia
às
10/31/2009
1 comentários
Marcadores: corpos
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Amor às tijoladas

O sexo bem feito
é aquele que além
do peso corporal
do tijolo e argamassa
tem o contorno do gesso,
a pintura à mão
e o molde do acabamento
para que se more dentro
da pessoa amada
e dela faça a casa
preferida e adornada
e, a cada parede levantada,
se construa um novo quarto,
um lugar a se explorar,
conhecendo por qual porta
se deve nele entrar
e descobrir o que ali se guarda.
Assim tenho sido arquiteto,
engenheiro e, por fim,
trabalhador braçal
usando a força dos dedos
para levantar a pedra fundamental
e poder descansar debaixo de lençois,
feitos para depois dos trabalhos do amor.
...
.
.
.
Autor:
Poesia
às
10/13/2009
2
comentários
Marcadores: corpos