segunda-feira, 11 de maio de 2009

Leitura corporal




Quando digo "te amo"
eu visto um verso.

Quando digo "adeus"
então visto o avesso.
.
.
.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Segredos



Não entendo por que
há histórias de amor
mentes destorcidas
dor de dente e unha encravada:

no primeiro caso
há tudo o que não
se gastou na mão
e insiste gozar

no segundo, existem
tanto os gênios
como os lunáticos
e todos têm prazer

no último, a gente
tropeça na pedra,
no caminho topa,
cai, levanta e sai xingando.

Nunca entenderei a razão
de que o contrário
também é válido
e também morre e fica pálido.
.
.
.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fabricação




Um movimento desencadeia
movimentos de máquina e solidão:
o prisioneiro se vai caminho
e, à tona, o choro desenferruja
as engrenagens do peito,
as dores do músculo.

As peças fabricadas em série,
os movimentos cegos do corpo
e as montagens dos momentos:
tudo é produto da massa
que solda os fios da vida
e solta o cegos de mãos vazias.

A fábrica da vida
é só isso, por metáfora dizer:
bater martelos nos
parafusos da cabeça
a largar os loucos
fora de suas casas,
longe de seus amores.
.
.
.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Tatuagem



O que marca
a pele na pessoa
que existe
do outro

O que troca
o pelo ao passo
que morre
o eu antigo

O que resiste
ao interesse
que persiste

O culto parado
e história
se contando.
.
.
.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Representação do amor na idade da pedra esculpida



Lasco pedra
e parto ao meio
o cio que veio
e agora espera
do amor o casco.

Tasco pedra
no vazio do prato
e dou a comida
mais cabo que rabo
lambendo os cascos.

Masco os fumos
das fêmeas
na língua do frêmito
que evapora no calor
das horas gozosas.

No cume do molde
me vejo em névoa
na ponta da pedra:
escultura ou só barro
quente em orgasmo?

Findo e fundo o afã,
não há respostas
por quê acamados
da fúria até a calma
amantes, cio e pele.
.
.
.

sábado, 28 de junho de 2008

A serviço da palavra




A palavra é uma foda
e também uma corda:
recai em prazer
e morte em vários corpos.

Alguns declaram amor,
outros se enforcam.
.
.
.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Badalada



Estridentes as mãos, cantavam os olhos.
Batendo os pés bailavam os gestos.
Sorrindo os braços se davam aos pares.

Em seus saltos sorrisos, soltos os braços.
Soavam os sinos em passos humanos.
Choravam em gotas os solitários.

Em moinhos de dança Quixote estava.
Lutando astuto, cantando distinto.
No paço, batalhas com seus gigantes.

De bailada dia e noite não havia
outra amiga que encontrasse em sua vida
pois de badalada assim bela dama ele tinha.

Em tempos distantes, em corpos amantes,
se sonhos ou não, do suor dos rostos
ficaram pra sempre senhor e senhora do baile.
.
.
.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...